domingo, 3 de outubro de 2010

Festival do Rio - Machete


Foi logo nos créditos iniciais, quando o rosto da já lendária Lindsay Lohan invadiu a tela empunhando uma arma ou qualquer coisa que você esperaria de um filme como Machete, que uma onda de gritaria irrompeu pela sala de cinema. Foi ali que eu me toquei a diferença que faz ver um filme onde a platéia inteira interage pra tornar a experiência mais memorável.

Por que eu comecei falando isso? Porque depois da sessão de Somewhere (que você verá minha opinião em seguida), e enquanto queimava o carão no meu subway de almôndegas, não conseguia parar de pensar o quão esquisito era essa suposta obrigação, ainda mais em um festival de cinema, de apreciar esses filmes auto-contemplativos e que não se dão espaço para desenvolvimentos e sentimentos nenhum, porque isso não é culto o bastante. Felizmente, a delícia do filme novo do Robert Rodriguez me lembrou o que há de melhor em se assistir um filme numa sala de cinema: a interação.

Antes de mais nada, não assista esse filme sozinho na tela de seu computador, a menos que não tenha opção. Por ser tão caricato e auto-satírico, boa parte da experiência de intestino delgado sendo usado como corda, membros decepados e padres sendo crucificados na igreja depende dos risos e da animação das pessoas que estiverem perto. E falando em riso, e deixando claro que um filme como Machete é basicamente uma comédia, com um viés ainda mais cômico do que o mostrado em Planeta Terror, uma preocupação que eu mesmo tinha e que deve ser esclarecida é que em momento algum o Rodriguez erra a mão e o filme vira uma paródia escrachada. Pelo contrário, os vários personagens até que tem suas motivações e suas histórias seguem bem definidas até o fim.

Talvez reparando nos poucos defeitos, a sequência final de ação com direito ao Machete voando na moto/metralhadora podia ser um pouco mais inventiva, e o sangue todo, apesar de presente durante o filme inteiro, não vem em uma dose abundante como na primeira parte de Grindhouse, mas são meros detalhes perto do resultado final. Até nossa LiLo, em uma personagem que claramente tira sarro da própria atriz e de seus hábitos tresloucados mantém o interesse até o fim (e ainda paga peitinho).

E aí que quando as luzes se acenderam e a platéia se levantou para bater palma ao subir dos créditos finais, não pude deixar de pensar que mais vale uma tosqueira divertida que une uma sala de desconhecidos do que um alternativismo estático que te faz bocejar. Meu nome é Victor e não tenho medo de ter meu gosto julgado. Primeiro passo é admitir.

(Por Victor Regis)

3 comentários:

Anônimo disse...

Eu concordo com sua opinião sobre o filme. Divertido pra cacete e também achei que a sequência final carece de alguma coisa. Mas a pior coisa de assistir um filme numa sala de cinema é a interatividade. Ainda bem que não pegamos a mesma sessão. xD

[]s!

Unknown disse...

super me identifiquei com seus comentários, filmes cults ás vezes são insuportáveis (só não são piores que grande parte dos cinéfilos que os assistem), tem dias que nada como um filme pipoca cheio de explosões junto com um público que mostre reações passionais em relação a obra!!!

Arthurine disse...

MACHETE DON'T TEXT !!!

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