
Tem um certo momento em Monsters que a um tanto quanto cute protagonista pergunta ao seu interesse romântico apocalíptico se ele, como um fotógrafo, não se sente mal ao ter que torcer para uma desgraça acontecer e poder lucrar em cima. Para mim o quote soa consideravelmente irônico quando se nota que este é justamente o primeiro filme que eu vejo no Festival, e o primeiro que critico para O Cine Maníacos. A diferença? Eu não ganho para isso.
"Nossa, quer dizer então que o filme é um desgraça de fazer o pessoal de Apenas O Fim orgulhoso de seu próprio filme?" Não completamente. O filme começa ruim, é verdade, mas melhora surpreendentemente quando a gente esquece que está vendo um suposto filme de terror. Os personagens são carismáticos, e quem entrasse com alguns minutos de atraso juraria estar diante de um road movie indie sobre solidão ou qualquer coisa que o valha.
Interessante, né? Até que passa mais uns 15 minutos e o filme se transforma em Se Beber Não Case. E aí quando você já tá se retorcendo de awckardness na cadeira, e a tentativa de terror começa, é o momento que a receita desanda de vez. Primeiro que 90% dos momentos de tensão são causados por vacas, jegues, grace cariokas , gatos, uma nave subaquática (!) ou qualquer outra coisa que faça barulho ao chegar. Segundo que o suspense é completamente falho. Não que a computação gráfica dos Monstros seja ruim, que, aliás, parecem uma mistura de Cloverfield com polvo gigante de O Nevoeiro. O problema é que não tem sangue, não tem correria, não tem nada.
Agora a pergunta que qualquer pessoa que saiba o plot básico do filme deve estar se fazendo: O quanto Monsters tem de Distrito 9? Muito, mas do lado errado da moeda. Não era preciso nem ter visto o filme pra saber a provável analogia do México sendo uma zona infectada e os dois americanos caucasianos tentando voltar para seu país natal e descobrindo que os monstros talvez sejam o seu próprio povo (sério, nas palavras deles). Agora a diferença é que enquanto o filme dos ETs sul-africanos tinha até que uma mitologia um tanto quanto definida, que justificava a comparação com o apartheid e segregação, em Monsters tudo é muito vazio e não desenvolvido, explicitando o quão sem rumo o projeto como um todo foi.
E aí que quando você chega ao clímax, que eu juro que se resume a dois monstros fazendo pegação, e ao final com o artifício de edição mais pobre e batido da década, você se lembra que pegou uma barca na chuva, perdeu seu celular no táxi, gastou dinheiro pra ver algo aquém do esperado e ainda tem a audácia de estrear o blog falando sobre o mesmo. Isso que eu chamo de pé direito. Se não fosse muito mais fácil falar mal de um filme do que bem, eu poderia até estar um pouco irritado.
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