Levou um certo período de tempo após o anúncio da adaptação da HQ de Scott Pilgrim contra o Mundo até que eu me empolgasse com o projeto. Na verdade, um grande período de tempo. Pra mim o longa soava como um Kick Ass 2.0, talvez um pouco menos pobre, uma típica Michael Cera being Michael Cera flick. Até que certo dia o Vidoni abriu meus olhos ao atentar que o diretor do filme não era ninguém menos do que Edgar Wright.
Diretor de dois dos melhores filmes de comédia da década (Todo Mundo Quase Morto e Chumbo Grosso) e atualmente sendo copiado pelo diretor de Zumbilândia, que começou com uma comédia zumbi e está partindo para uma sátira policial, eu não conseguia pensar em ninguém mais cool para dirigir o filme. E aí, aliado a um trailer fodaço de deixar qualquer nerd no mínimo nostalgico, criou-se uma expectativa. E uma grande.
Resumindo, Scott Pilgrim contra o Mundo é exatamente tudo o que esperávamos. A surpresa? Isso não é uma notícia boa.
Antes de jogar o seu atari ou seus action figures na minha testa, acalme-se, o resultado final fica longe de ser um filme ruim, aliás, é o segundo melhor que vi no festival (perdendo só para Machete). A profusão de piadas cheias de referências, desde o logo da Universal com design de fliperama até a deliciosa pergunta feita pelo Scott a um de seus amigos ("Eles realmente filmam longas aqui no Canadá?") por si só já valem o ingresso. Mesma coisa sobre as sequências de lutas, que comprovam o talento que o Wright já havia mostrado em seus filmes anteriores para dirigir cenas de ação. Vale mencionar que toda a estética de video game é refletida na tela com um frescor de um filme que parece ousar muito mais do que na realidade o faz.
Continuando nos prós, e notável a qualidade do roteiro em fazer nos importarmos com os personagens, mesmo em se tratando de um filme exagerado e estilizado como esse, que podia cair em uma grande caricatura, se quiser ser levado mais a sério (coisa que não faz).
Mas aí que entra um certo revés. Ao se estabelecer o arco principal de que o Scott precisa derrotar os sete ex-namorados malignos, o filme em momentos roda em sua própria premissa sem sair do lugar, entregando aquilo que esperávamos, mas só. Apesar de divertidos, alguns dos ex-namorados tem "mortes" um tanto quanto não inspiradas, apenas porque a história tem que continuar para o próximo vilão ser derrotado.
E agora, ao escrever essa minha opinião, não consigo evitar uma certa sensação contraditória: mas não é exatamente isso que um bom video game preza? Diversão descabida fase após fase?
No frigir dos ovos, Scott Pilgrim contra o Mundo continua sendo engraçado, divertido, uma experiência razoavelmente nova em sua estética e inteligente em sua proposta e que vale o ingresso. Talvez derrape um pouco enquanto cinema, mas é por isso que um bom video game sempre tem a tecla reset, não é mesmo?


