É uma sinuca de bico assistir um filme como Somewhere, ainda mais em um Festival onde a galere toda também quer ser hype. A única chance de tudo dar certo é se o filme for realmente bom, porque caso contrário, mesmo que você tenha todos os argumentos do mundo, fica aquele julgamento implícito de que a culpa é sua, que não é culto o bastante pro filme.E talvez até seja, afinal quem sou eu pra discordar dos críticos dos festivais ao redor do mundo, mas para mim Somewhere não funcionou por alguns motivos bem definidos. Deixando claro que antes de mais nada eu sou também um apreciador do trabalho da Coppola (com um carinho por sua atuação em O Poderoso Chefão 3, claro) e gosto de As Virgens Suicidas, acho Lost In Translation um dos grandes filmes da década e me diverti bastante com Maria Antonieta, que teve uma recepção mais ou menos. Somewhere, então, chegou como uma espécie de make it or break it pra Sofia que tem a chance de ser a primeira diretora relevante vencedora de Oscar (porque quem é Kathryn Bigelow na naite, vamos combinar).
E então voltamos aos problemas que eu disse ter encontrado. Tem uma diferença bem grande entre cinema silencioso e existencialista, mas que possuiu um roteiro e um propósito, como Caché ou o próprio Lost In Translation, e o cinema que tenta se dar bem em cima disso, e que ainda joga a provável incompreensão como nossa culpa, e nessa categoria entra um Babel da vida.
Não digo que Somewhere está nessa segunda categoria, até porque isso seria desmerecer demais o trabalho da Coppola que, antes de tudo, continua uma diretora talentosa e relevante. Mas o que é o filme? Solidão, sentido da vida, um homem solitário que percebe na figura de uma filha distante uma possível redenção? Será que já não vimos isso em quase 90% dos filmes do Fox Life? E não só se comparado com outros filmes, mas Somewhere é uma repetição ainda de sua obra mais aclamada, LiT. Tudo o que o mais recente tem de mais interessante, já foi feito no anterior, incluindo nisso a crítica ao mundo do cinema, solitários quartos de hoteís e troque o japonês do filme estrelado por Bill Murray e introduza o italiano que temos uma repetição exata dos protagonistas deslocados em um idioma estrangeiro.
E não se surpreenda se o filme chegar com força ao Oscar do ano que vem, afinal, você tem visto alguma competição até agora? Poderão Black Swan, Never Let me Go ou The Social Network oferecer algum perigo? Verdade é que já vimos muitos diretores sendo premiados por seus piores trabalhos, então só nos resta esperar. Eu, que peguei logo em seguida a sessão de Machete (cuja crítica está aí embaixo) não tive remorso algum ao assistir ao filme do Robert Rodriguez e pensar "isso sim que é sétima arte". E 10 jovens de camisa xadrez ouvindo Belle & Sebastian morrem com essa última frase.
1 comentários:
Em termos de Oscar, penso que será totalmente ignorado, mas não significa que mereça. Na verdade, aguardo mais esse filme do que muitos outros badalados dos recentes festivais.
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